Enquanto essa geração cresce, outra coisa avança numa velocidade difícil de acompanhar: a inteligência artificial.

Ela já ajuda a escrever textos, pesquisar, criar imagens, organizar informações e resolver tarefas do cotidiano. Está no celular, no computador e em ferramentas usadas todos os dias. Para quem está crescendo agora, portanto, entender IA pode deixar de ser um diferencial e se tornar parte da formação básica para navegar pelo mundo que vem pela frente.

É nesse encontro entre uma nova geração e uma nova tecnologia que uma empresa de Blumenau decidiu entrar. A Robomind, especializada em educação tecnológica e robótica, acaba de lançar o LAB.Ai, curso curricular criado para estudantes do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental. A proposta combina inteligência artificial, computação e metodologia científica para alunos de 11 a 14 anos.

Mas existe uma diferença importante na forma como esse contato acontece. Em vez de simplesmente colocar uma ferramenta de IA na frente do estudante e ensinar onde clicar, o curso propõe descobrir o que existe por trás da tecnologia. Na prática, a sala de aula vira uma espécie de laboratório.

Um aluno assume o papel de engenheiro e monta o protótipo. Outro vira desenvolvedor, programa e trabalha com sensores. Há ainda o cientista, que pesquisa, observa e analisa resultados, enquanto o facilitador organiza a equipe, controla o tempo e estimula a participação dos colegas.

Os papéis mudam, mas a lógica é a mesma: fazer o estudante colocar a mão na massa. A metodologia desenvolvida pela Robomind parte de um processo conhecido pela ciência há muito mais tempo do que a própria inteligência artificial. Primeiro, observar. Depois, levantar hipóteses. Testar. Errar, ajustar e analisar os resultados.

A IA entra justamente aí, como ferramenta de investigação, criatividade e resolução de problemas. O objetivo é aproximar uma tecnologia cada vez mais presente no cotidiano de situações que façam sentido para os estudantes e, nesse caminho, estimular o pensamento crítico.

O projeto utiliza o novo kit Computer Science AI, lançamento da LEGO® Education. A previsão é que o LAB.Ai comece a ser implantado em escolas públicas e privadas brasileiras a partir de 2027. Segundo a empresa, instituições de ensino já aderiram à iniciativa para o próximo ano letivo.

A aposta encontra uma preocupação que não para na porta das escolas brasileiras.

O estudo Building the future: a global report on computer science and AI education mostrou que 69% dos professores acreditam que conhecimentos sobre inteligência artificial serão essenciais para o futuro das crianças. O outro lado desse número expõe o tamanho do desafio: 40% afirmam que as escolas ainda não estão preparadas para abordar o assunto de maneira responsável.

É uma corrida curiosa. A tecnologia avança rápido, crianças e adolescentes incorporam novidades ao cotidiano e a escola precisa encontrar maneiras de acompanhar esse movimento sem transformar o aprendizado em apenas mais uma tela.

Para André Brandão Sala, CEO da Robomind, preparar os estudantes passa justamente por ir além do uso das ferramentas. “Quando falamos em inteligência artificial na educação, não estamos falando apenas de ensinar os alunos a utilizar uma nova tecnologia, mas de prepará-los para compreender como ela funciona, quais são seus limites e como pode ser aplicada para resolver problemas reais. Desenvolvemos o LAB.Ai para que os estudantes sejam protagonistas desse processo”, afirma.

A iniciativa parte de Blumenau, mas mira salas de aula espalhadas pelo país. Com sede na cidade catarinense, a Robomind está presente em mais de 20 estados brasileiros. A empresa informa que já implementou projetos em mais de 1.000 escolas e alcançou mais de 300 mil estudantes, da educação infantil ao ensino médio.

A companhia trabalha com metodologia própria e parceiros globais como Lego e Roborobo. Fora do Brasil, também mantém franquias em Portugal, México e Angola. Para os estudantes que entrarão no LAB.Ai, inteligência artificial talvez nunca seja lembrada como uma grande novidade. Ela simplesmente estará lá, como a internet e o smartphone já estão.

Por isso, a pergunta para essa geração pode não ser se ela vai usar inteligência artificial. Provavelmente vai. A questão é outra: quando esse novo mundo chegar de vez, ela estará preparada apenas para apertar os botões ou também para entender o que acontece depois do clique?


Via O Blumenauense - https://oblumenauense.com.br/empresa-de-blumenau-lanca-curso-de-ia-para-estudantes-do-ensino-fundamental/